Keith Jeremias(Jornal da Manhã - Dezembro de 2000)
"O Santo Expedito, conhecido pelas causas urgentes, tem ressuscitado para a geração moderna um hábito que os antigos conhecem bem: receber santinhos sacros. A antiga tradição, que servia de lembranças heurísticas, ou de festas religiosas, resultou na bela coleção que Luiz Carlos Rosso está expondo no espaço cultural do Correio Central.
Esta mesma idéia de contar histórias de um santo em pequeno papel e distribuir aos fiéis foi clonada tempos depois pelos políticos, que derrubaram imagens sagradas e substituíram por suas fotos e carreira de vida, Hoje os "santinhos" são material eleitoral indispensável a qualquer campanha política . Amante de objetos sacros des de a infância, e influenciado pelos cultos religiosos dos italianos, Luiz mantém um acervo de santinhos que deve ultrapassar a casa dos três mil.
Somente no Correio, estão expostas 15 séries diferenciadas, cada uma com mais de 15 retratos diferentes de um mesmo santo. Calmo, Luiz lembra que a tradição vem da época da migração, e as primeiras séries vieram no meio dos missais antigos, antigos livros de orações para acompanhamento de missas. Com o passar do tempo, as congregações religiosas difundiram ainda mais as lembranças. A editora Cromo Card, pioneira na edição, passou a produzir quadros com imagens.
Aos 34 anos, Luiz revela que colecionar as imagens recarrega as suas energias. É uma espécie de oração diária. Os materiais sacros que me renovam - diz. Todo esse efeito e fruto das histórias de fé de cada personagem, fato que traça uma ligação direta com o mundo espiritual, cada biografia é uma lição de fé e me traz um enorme prazer - diz.
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