
(Cunha de Pedra encontrada por José Carlos Rosso em Espigão da Pedra)

(Arte Sacra. Principal tema do colecionador)
lexandre Rocha
(Matéria publicada pelo Jornal da Manhã em 14 de agosto de 1998)
Em conversa com Luiz Carlos Rosso, morador da localidade de Espigão da Pedra, ao norte de Araranguá, no Distrito de Hercílio Luz , pude conhecer alguém que comunga os pensamentos das pessoas que amam e respeitam o patrimonio historico. Na verdade não há nada de especial no gesto destas pessoas , apenas são talvez uma minoria que sustenta defesas óbvias em favor da história e da cultura, como maneira de preservar a propria identidade. Conta Luiz Carlos, que em sua família mostraram interesses pela preservação da memória regional, coletando objetos ligados a história da comunidade e também achados arqueológicos dos povos indígenas que antes de todos nós habitavam estas terras. O sentimento de carinho pelo passado, não por simples e puro saudosismo mas pela necessidade de proteger o legado passado de gerações em geração, onde sustenta-se a base de nossa formação social, sempre esbarra nos diversos fatores que se encarregam de por fim a seqüência de informações destruindo o patrimônio histórico. As vezes isto ocorre pela falta de compreensão do assunto, outras vezes por insensibilidade, outras por insensatez . Um fato que fez desmotivar bastante o trabalho de preservação da família Rosso, foi a demolição da igrejinha da comunidade, que seguindo Luiz Carlos podia ser preservada ou restaurada. Está coberto de razão. Quem entra pela BR 101 em direção a Ilhas, verá, com alguns quilômetros de distância entre si, uma seqüencia de capelas, numa linha que marca a aglomeração social das vilas. Este cenário preservado, forma um caminho inconfundível e merecedor de atenção por constituir uma forte referência geográfica aos visitantes. Em turismo poderíamos chamar aquela estrada de caminho das capelas, ou ainda rota das igrejinhas, e quem sabe ao longo deste caminho em direção do litoral, pudessem os moradores oferecer seus produtos típicos, como artesanato e gastronomia tradicional aos visitantes que por ali transitarem.
O roteiro das capelinhas com um cenário que vai se descortinando, ladeado pelo rio que se apressa em busca do mar, poderia ser também o caminho alternativo para o desenvolvimento turístico da região. Por isso a tentativa de preservação de Luiz Carlos, não é somente importante porque gosta ou ama o passado, mas porque sabe que a comunidade precisa manter sua marca que isto se reverta em fomento a atividade turística na forma de "turismo cultural", que é viável que gera emprego e renda. [....] Enquanto não tivermos a sabedoria de unir preservação e progresso, evolução sem destruição, continuaremos a assistir os países mais antigos com suas histórias milenares, contando os dólares do turismo do mundo inteiro com sua cultura e história, mas com sustento para muitos".
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