sábado, 3 de março de 2012

DE COLECIONADOR A HISTORIADOR

(Apaixonado por raridades providencia museu em que destinará suas coleções de santinhos e outros artigos religiosos)

(Daniela Soares – Jornal Diário de Notícias -18 de janeiro de 2012)

Como interesse infantil, Luiz Carlos Roce adquiriu o hábito de colecionar artigos religiosos. No decorrer dos anos, o costume se tornou passatempo e hoje da os primeiros passos para se consolidar oficialmente como acervo histórico. “Tentei buscar auxílio com o poder público para montar o museu, mas como não obtive sucesso estou providenciando por iniciativa própria”, conta. Para tanto ele alugou uma estrutura na comunidade de Espigão da Pedra em que deseja abrir aos visitantes. O ambiente contara também com o museu histórico regional e biblioteca.

Os santinhos de papel foram a preferência inicial, totalizando mais de três mil. “Eu fui guardando. Algumas peças eu adquiri, mas a maioria é doação. Fiz uma pesquisa pelo valor das peças e descobri que as mesmas possuem um alto valor financeiro e sobretudo histórico. Já recebi proposta para venda, mas enquanto eu viver nenhuma peça sai daqui”. Menciona.

Como conseqüência ele pontua que graduou-se em história, mas se surpreendeu com o conhecimento adquirido com as coleções. “Eu já sabia muita coisa porque eu pesquisava. Acabei fazendo a faculdade por currículo”.

Entre os destaques do museu esta um missal datado de 1886. “Os livros são na maioria em latim ou italiano, Não conheço muito mas consigo entender”, complementa. Outra raridade, está reservada cuidadosamente é uma ícone russa do período bizantino. “O quadro deve ter em torno de uns 300 anos. Acredito que tenha sido pintado por monges”.

O QUE AS REFORMAS DISPENSARAM

Entre os artigos já acomodados no futuro museu, estão duas janelas em forma de vitrais que pertenceram as antigas capelas da comunidade. “A mais antiga e de 1940. Elas foram removidas nas primeiras reformas. Muito material consegui desta forma”, comenta, acrecentando outras peças como crucifixos, castiçais e imagens. Ele possui também um souvenir de Santa Bárbara, distribuído nas primeiras celebrações da festa. É muito difícil achar alguém que ainda tenha um deles, destaca.

REGISTRO DA HISTORIA REGIONAL

Com a colaboração social, o acervo foi ampliando com peças que, conforme ele evidencia a história local. “Tenho muitos artefatos indígena que as famílias trabalhando na roça encontraram”, destaca.

Neste âmbito, se encaixam também as louças que Luiz define como “peças da nona”. “São louças de famílias que não se encontram mais. No começo não foi fácil consegui pelo apego, mas muitos se desfizeram com medo que seus descendentes não iram preservar”, relata.

Nenhum comentário:

Postar um comentário